Joaquim Ferreira dos Santos

Joaquim Ferreira dos Santos

Jornalista, Escritor e Crítico Musical.
Nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Vila da Penha, em 1951, se graduou em Jornalismo pela Universidade Federal Fluminense.
Em 1969, começou a atuar no Jornalismo com repórter do "Diário de Notícias". Dois anos depois, transferiu-se para a Revista "Veja", atuando como repórter e crítico de músicas e show. Em 1983, foi sub-editor do Caderno B, Editor das Revistas Domingo e Programa, no Jornal do Brasil. Em 1991, transferiu-se para o Jornal O Dia, no qual atuou como editor do Caderno D e editor executivo. No ano 2001,voltou para o Jornal do Brasil como colunista e, até pouco tempo, era cronista e assinava a coluna Gente Boa do Jornal O Globo.
É considerado, além de crítico de primeira linha, um cronista carioca de grandes recursos estilísticos.
É autor de livros como "Feliz 1958 - O ano que não devia terminar", "O que as mulheres procuram na bolsa", "Em busca do borogodó perdido", "Um homem chamado Maria", além da biografia de Leila Diniz e da biografia sobre o poeta e jornalista Antônio Maria (A.M. noites em Copacabana) que é considerada a melhor fonte de referência sobre a vida e obra do compositor.

Posts do autor

A Crônica Ninja anuncia: Rubem Braga não me representa

A Crônica Ninja anuncia: Rubem Braga não me representa

Tem a Mídia Ninja, a grande sensação dos meios de comunicação, a TV que transmite por telefone diretamente de onde o pau estiver quebrando, e tem a partir deste momento, aqui também pela internet, a Crônica Ninja.
É aquela que enrola a camiseta na cabeça dos bons modos de redigir, deixa de fora apenas os olhos de ver a emoção nas ruas, os narizes de respirar o vento das almas carregadas de gás lacrimogêneo – e vai transmitindo o que sai aos borbotões pelo coração, pela veia quântica da jugular. Tudo na certeza de que a edição, o pensar duas [...]

Como ficar bem na foto

Como ficar bem na foto

Existe a escola fotográfica do “momento decisivo”, inventada por Cartier-Bresson, que faz a apologia do clique nem um milésimo de segundo a mais ou a menos daquele que tornará – o salto de um homem sobre uma poça d’água ou o do olhar da prostituta sobre o freguês – uma foto clássica. Sebastião Salgado transforma os miseráveis sociais à frente de suas lentes em deuses da Humanidade, sempre contornados por algum halo de nuvem ou sopro de aparência divina. Lartigue aposta tudo na diversão. Pede que seu personagem dê um pulo, e temos uma foto com a sua notória assinatura.

Do Rato Molhado ao Leblon

Do Rato Molhado ao Leblon

São dois trabalhos que eu estou fazendo, não interessa muito do que eles tratam, e só estou contando aqui os seus bastidores porque me propiciaram, dias atrás, uma segunda-feira profundamente carioca, Rio de Janeiro na veia – afinal, não é a toda hora que você começa o dia almoçando na casa da manicure de um salão de beleza na comunidade do Rato Molhado, no Riachuelo, e acaba a noite em uma happy-hour, a praia do Leblon aos seus pés, na cobertura de uma empresária da Delfin Moreira.

A tudo faço gosto e reverência, e tanto saboreei a alcatra em [...]

Pelada no bar de futebol

Pelada no bar de futebol

O Rio gosta de bar e futebol, mas ainda é muito tímido em juntar os dois. Tem o Sindicato do Chopp, do Omar Perez, no Leme, com as paredes decoradas por camisas antigas dos clubes cariocas e uma preciosa coleção de fotos de todos os jogadores do bicampeonato mundial de 1962.
O outro bar de futebol da cidade fica na Grajaú, o Bar da Eva, de Sergio Pugliese. Às terças-feiras, exibe-se um grande jogo com o craque da partida dando ao vivo, sentado numa das mesas, o depoimento do que ocorreu dentro das quatro linhas. Rondinelli, o Deus da Raça, [...]

Olimpíada carioca

Olimpíada carioca

Como ia dizendo, caminhando e cantando no texto anterior, uma das maneiras de se recuperar a saúde e resgatar a cidade é fazer isso que estamos fazendo agora. Andar em frente. Sair da figura A para a figura B, e acabar não se sabe onde. Pé ante pé, vá em frente, caminhe.
Num mundo em que as pessoas se metem dentro de um carro para cobrir as distâncias mínimas, caminhar é preciso. Debasta barrigas. Você vê as últimas modas, dá um sacode no colesterol ruim do sangue e conhece melhor a geografia que lhe vai ao redor. Uma música para [...]

Vamos andar na rua

Vamos andar na rua


Contra a obesidade do tipo mórbida ou do tipo preguiçosa, males que estão matando a Humanidade e corroendo as verbas de saúde do município, eu recomendo que se ande em frente. Isso mesmo. Eu, que de médico nada tenho, mas pratico essa medicina não é de hoje, eu recomendo que se coloque um tênis e, dane-se a qualidade das calçadas do Rio, nem aí para a buraqueira que apoquenta todos os nossos pisos municipais – eu recomendo que se pedestre, se andarilhe. Caminhemos todos. Num primeiro dia, vá até ali na esquina, depois alguns quarteirões mais, e assim por [...]

O ceviche me representa

O ceviche me representa

A mesa carioca era monotemática. Por muito tempo não houve nada mais chique do que um melão com presunto abrindo os trabalhos. Como prato principal brilhava sempre um estrogonofe encharcado no creme de leite, uma iguaria de colesterol politicamente incorreto logo depois superada pelo frango a Kiev, um prato menos saudável ainda, pois forrado por pasta de manteiga. Era por aí. Triste e indigesto. Faltava imaginação ao chef, por sinal, um personagem que ainda estava no forno para ser vulgarizado como a personificação do Deus supremo do paladar.
Eu estou saboreando essas nostalgias porque acabei de chegar do Festival Gastronômico [...]

O travesseirinho de areia

O travesseirinho de areia

A escritora americana Priscila Gosling dedicou uma página inteira de seu livro “How to be a carioca”, que está saindo em sua 33ª edição, à arte tão local de fazer travesseirinho de areia na praia.
Na primeira edição, bem no início dos anos 90, o passo-a-passo tinha uma função prática, imediata. Para se sentir como um carioca, o estrangeiro ao chegar à beira-mar precisava esculturar o montinho. Em seguida, devia cobri-lo com uma toalha, para depois encostar a cabeça, deixando-se benzer pelos raios do sol.
Mantido na nova edição, o capítulo sobre o travesseirinho é apenas uma saudade, um retrato [...]

As mulheres e o charuto

As mulheres e o charuto

Não foi por maldade ou qualquer brincadeirinha inconveniente. Quando a moça me telefonou convidando para uma palestra sobre as questões femininas e seus subúrbios contemporâneos, alguma ficha se precipitou do meu arquivo de aço mental, e eu fui lusitanamente afoito.
Perguntei:
“Você é do Clube do Charuto?”.
Eu nem sei se existe uma organização dessas. Até imagino um encontro plasticamente muito bonito com dezenas de mulheres entrecortadas por volutas de fumaça, o vermelho de seus lábios ressaltando no espectro cinza da reunião, todas envolvidas não por perfumarias francesas, mas um odor de tabaco, florestas, terras, vento nas folhas e demais [...]

"Fora coxinha"

“Fora coxinha”

Pode parecer estranho fazer o perfil do “Coxinha” numa coluna sobre as últimas novidades do Rio, mas é que esta figura paulistana tem sido citada nos cartazes das manifestações de rua e, saída dos restaurantes do Itaim Bibi, na zona bacana de SP, vai aos poucos se tornando uma expressão nacional. O Rio já está cheio de coxinha.
Ninguém gosta muito dele, mas é preciso dar o devido desconto ao radicalismo dos tempos. O coxinha é um riquinho bem intencionadinho, e o uso exagerado do diminutivo é proposital. Gosta de uma saladinha, de afetar cuidadinhos com o Zé Povinho. Quer [...]